Se afastar do instagram (no meu caso, bookstagram) não é tão fácil. Você se questiona se essa é ou não uma boa ideia. Neste post vou esclarecer o que me fez se afastar, talvez de vez, desta rede social.
Se afastar do bookstagram ou não? Eis a questão!
Pensar em excluir suas redes sociais atualmente parece inconcebível. Ao menos, para grande parte das pessoas. Se você diz que quer se afastar do instagram, automaticamente a pessoa faz as perguntas mais comuns: “Mas e os seus colegas que moram longe?”, “Como você vai manter contato com a família?”, “E quanto as novidades? Você vai ficar por fora de tudo!” etc.
É normal que hoje uma pessoa pense dessa forma, afinal de contas, muitos acompanham as notícias pelos perfis das mídias de comunicação para ter acesso imediato á vários acontecimentos, além do que tem a velha defesa de que você vai perder o contato com todo mundo. O que honestamente acho um absurdo, pois quem realmente se importa com você, vai encontrar um meio de te ver.
Existem poucas – mas, existem – pessoas que tomaram a decisão de sair de vez das redes sociais. Eu já quis fazer isso várias vezes, porém nunca me senti com coragem o suficiente para fazê-lo de vez. Até agora.
O que me fez se afastar do instagram?
Quem me conhece há bastante tempo sabe que costumava falar sobre minhas leituras e meus livros nas redes sociais, mais centrado no bookstagram e no YouTube. E por mais legal que tenha sido fazer isso por todos esses anos, posso dizer que cheguei a um certo esgotamento.

Muitas das razões que me fizeram querer me afastar do instagram foi a dificuldade enorme para crescer. Já quis desistir muitas vezes por causa disso, só que dessa vez, não foi por esta razão.
No final do ano passado recebi uma notícia que trouxe mudanças imediatas na minha vida. Não se preocupe, é algo bom. Mas, depois de um ou dois dias, fiquei pensando: “Como vou falar sobre isso no bookstagram? Como devo contar? Espera! Eu preciso contar?” Foi essa última pergunta que me fez ver a maldita dependência que temos dessas redes e da aprovação dos outros sem nem perceber.
Eu não precisava contar nada da minha vida pessoal na internet, então, por que eu sentia a necessidade de que deveria?
A “obrigação” de sempre criar conteúdo também me afastou do instagram.
Meses antes da notícia eu estava me sentindo exausta e com criatividade zero. Eu passava horas, as vezes dias, criando um único post, para que logo depois de ir ao ar, a ansiedade voltar para que eu começasse imediatamente a criar o próximo.
Eu deixava de escrever meus livros para criar conteúdo, que na grande maioria das vezes, era completamente ignorado. Será que todo esse esforço realmente vale a pena?
Comecei a pensar que não. E olha que sempre fui defensora da criação de conteúdo de acordo com o seu tempo disponível. Ainda acredito nisso. Mas, em relação a mim, eu não conseguia mais enxergar qualquer vislumbre de criatividade ou mesmo prazer em fazer tudo aquilo. Ficou tedioso e até mesmo sem razão de continuar ali.
Sim, a rede social é o melhor lugar para se conectar com as pessoas, inclusive para conhecer minhas queridas leitoras. Porém, apesar de ser incrível ter um contato direto pelo bookstagram, eu já não conseguia me dedicar como deveria.
Ainda que eu me sentisse esgotada mentalmente, o que realmente me fez desinstalar o aplicativo sem avisar ninguém, foi perceber a necessidade de querer contar algo pessoal no meu perfil aberto. E o pior é que eu não sou uma pessoa tão exposta assim, sempre escolhi a dedo o que deveria, ou não, dizer. Mesmo assim, a sensação de “obrigação” me fez acordar para a dependência que eu nem sabia que estava.
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Me afastar do instagram não foi tão fácil
Me afastar do instagram não foi tão simples no início por um único motivo: eu gastava um tempo considerável no celular rolando o feed e vendo reels.
E nem sempre esses reels eram engraçados ou úteis, as vezes, eles acionavam algum gatilho em minha mente me deixando muito mal ao me lembrar de algo ruim ou simplesmente por falar de algum tema que me deixa imediatamente desconfortável. E aquela função de bloquear certos assuntos não ajudava em absolutamente nada.
Tudo era motivo de briga nos posts. Desde o jeito que você pintou o seu quarto até os assuntos mais polêmicos do momento. Como exemplo, posso usar uma discussão completamente idiota que vi em um reel. Uma mulher gravou um reel com a filha pequena, onde as duas saiam alegremente de casa para passear e havia um texto na tela te orientando a sair para respirar quando você estiver se sentindo mal, não importa onde, apenas saia um pouco de casa. Era só isso. Havia várias pessoas criticando as roupas e a porta da frente da casa da dona do vídeo, dizendo que era fácil ela dar esse conselho quando se tinha roupas bonitas para vestir e uma casa bonita.
Meu Deus, era só um conselho! Eu não sei quem ela é, não vi o perfil dela ou mesmo se sua vida privada é exposta, o que eu sei, é que a dona só quis dar um conselho simples e isso virou uma bola de neve sem motivo.
Ou seja, eu não aguentava mais ver pessoas brigando por absolutamente nada, querendo sempre ser o rei ou rainha da razão e do moralismo barato!
Vou dizer com todas as letras: o instagram é extremamente tóxico!
Porém, não é porque eu exclui o app que vou te dizer para fazer o mesmo. O que eu sei é que foi a melhor escolha para mim.
Me afastar do bookstagram revelou minha dependência.
Decidi não avisar ninguém de que iria me afastar. Já fiz isso tantas vezes antes que simplesmente cansei e apenas exclui o app do celular. Por enquanto, não pretendo excluir meu perfil, deixei ele aberto com algumas das postagens que fiz no decorrer dos anos, principalmente por causa da minha profissão de escritora.
Afinal, por mais que eu não esteja mais postando, ali tem o link para o meu site, e-mail e meus livros. Além do que, percebi que nem toda autora depende tanto assim, como a maioria defende, do seu perfil para vender suas histórias. Não existe apenas o instagram como meio de publicidade.
Enfim, logo após excluir o app fiquei por semanas com um tipo de tique. Eu mal pegava no celular, meu dedo ia imediatamente para a área onde o logo do app ficava. Fiquei realmente assustada ao perceber tamanha dependência.
Eu não precisava entrar no instagram, mas mesmo assim, meus dedos automaticamente queriam abrir o aplicativo. Foi bizarro e isso aconteceu por semanas!!
Outra coisa foi que no início deste ano fui em um sebo famoso aqui em São Paulo e logo fiquei ansiosa para tirar fotos e dizer onde estava, até me lembrar de que eu não estava mais com o app. Houveram dias em que saí com a minha família e meu cérebro me dizia para fotografar e postar, mas ao invés disso me obriguei a curtir o passeio e não dar voz para essa dependência absurda.
A culpa não é só do instagram

Mas, apesar de tudo, outra revelação que tive, foi que nem tudo é culpa do instagram. Claro, grande parte era, contudo, eu ainda estou tentando me livrar do vício no celular. Posso ter excluído o insta, mas acabei substituindo por outra coisa não muito produtiva e isso é algo que tenho trabalhado recentemente para domar.
Não adianta excluir o instagram se você vai continuar dependendo do seu celular a todo momento e vendo vídeos bobos ou jogando joguinhos inúteis.
Tenho trabalhado em mim todos esses meses para acabar com essa necessidade de ter sempre o celular a mão. Meu processo começou no meio de novembro do ano passado (2023, que foi quando excluí o app) e continuo avançando. Aos poucos, vou melhorando minhas escolhas e substituindo por coisas que realmente valem a pena.
É claro que quando estou lendo algum livro ainda penso em gravar um story, mas agora prefiro compartilhar minhas leituras por aqui, onde me sinto muito mais livre para escrever como quero.
Vou continuar falando de livros, não vou sumir da internet, porém vou concentrar meus esforços através de outros meios, principalmente aqui no site.
Minha conclusão sobre se afastar do instagram
Sabe, depois de tudo, até postei uma ou duas fotos no meu status do WhatsApp, mas apenas uma única foto foi motivo para virem me criticar por ter feito X escolha em um momento de lazer. Depois desse momento patético, percebi que fiz realmente a escolha certa e que não vale a pena postar nada pessoal em lugar nenhum para que os outros vejam.
Escolhi viver minha vida pessoal de modo totalmente privado. Sem fotos. Sem “encheção” de saco.
Ainda vou tirar fotos, porque sempre amei fazer isso, mas sem a necessidade de postar onde quer que seja.
Então, nesses poucos meses, além de perceber o quanto eu estava dependente, aprendi novamente a viver experiências apenas com quem realmente importa.
Tive ótimos momentos com meu bookstagram. Conheci ótimas autoras, criei conteúdos muito legais, melhorei meu modo de enxergar minha fotografia, li livros recomendados, conheci histórias que nunca havia ouvido falar, entre outras coisas boas. Nem tudo foi ruim, tive experiências incríveis também.
Contudo, para mim, excluir o instagram foi ótimo. Talvez possa ser o mesmo para você, talvez não. Acredito que para tomar essa decisão, você precisa pensar bem a respeito. Existem tantos fatores que podem facilitar ou mesmo dificultar essa escolha, que eu não posso fazê-la por você. O ideal, caso seja o que você realmente quer, é descobrir novas alternativas para o que você faz. Pois, duvido que o instagram ficará no auge para sempre. Uma hora o “império” pode cair e, como você vai ficar? Então, pense bem e imagine alternativas caso você dependa de algum trabalho ou algo do tipo.
Enfim, o post ficou grande, mas agora já deixei esclarecido o meu sumiço. Como eu disse à cima, não sei se um dia vou querer voltar para o instagram, o mais provável é que isso não aconteça, porque depois de tudo, para mim, não valeria nem um pouco a pena.
Ainda mais pela minha saúde mental que é mais importante do que estar presente em uma plataforma só porque a maioria está.
Um grande abraço!
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